Podia responder

Sua mensagem me deixou com raiva.
Aquele sentimento de raiva que poucas pessoas conseguem me proporcionar.
E ela me afetou de uma forma que eu não imaginava que seria assim quando você voltasse a falar comigo.
Eu podia deletar sua mensagem.
Eu podia responder da forma mais grosseira possível.
Mandar você se fuder.
Foi o que eu pensei no primeiro momento.
Depois pensei no meu coração partido.
E pensei em você. No seu jeito. No seu olhar. No seu comportamento. Nas suas atitudes. No seu jogo.
E lembrei de tudo.
Lembrei de como eu era tudo, menos eu, perto de você.
Adquiria outra personalidade.
Lembrei de como as nossas mensagens mudaram.
De como todas elas continham insultos disfarçados em piadas.
E de como eu já não conseguia mais falar de tudo com você, sem ser criticada.
Lembrei de todas as vezes que você me fez me sentir pequena e insignificante para o mundo.
Lembrei de como você me magoava com observações desnecessárias sobre algo e como eu respondia sempre no bom humor.
E pensei… olhei a mensagem várias vezes.
Depois de mais de dois meses sem notícias suas, a mensagem que você me manda é uma mensagem me subestimando.
Li… reli… pensei… e fiz o esforço de lembrar tudo isso.
De lembrar como você começou a deixar de ser importante pra mim.
De como sua ausência foi ficando cada vez mais aceitável.
De como eu comecei a parar de me sentir tão perdida nos meus sentimentos.
Podia responder.
Podia te xingar.
Mandar um áudio falando: foda-se!
Dar chilique… explicar que eu não sou idiota. Que eu entendi perfeitamente o conteúdo da sua mensagem.
E depois eu pensei, pra quê?
Você não se importa comigo.
Então decidi te entregar meu silêncio como resposta.