Querer

Ela queria
Depois não queria mais
E nesse querer e não querer ela se perdeu
E meio perdida
Entre o pensar e querer
Entre o querer não pensar
Entre o pensar do não querer
Pensava que um braço de distância era o correto
Mas o que era o certo?
E o errado?
Querer estava errado?
Ou estava certo?
Ela queria
Mas depois não queria mais
E ela se distanciou do querer
Para não poder

Amanhã

Ela fechou o livro com um sorriso no rosto. A madrugada a envolvia. Ele assistiu a cena deitado. Ela deitou e se achochegou no peito nu dele.

– Por que você deixa a parte mais interessante do livro para amanhã?

– Porque eu gosto de ficar pensando no que vai acontecer.

– E se não houver amanhã?

Ela se acochegou mais para perto. Sentiu o cheiro dele. Pensou um pouco e respondeu:

– Sempre haverá amanhã.

Bananeira

lembra o tempo
que você sentia
e sentir
era a forma mais sábia
de saber
e você nem sabia?

Ele plantou bananeira no primeiro encontro.
Ela foi de bicicleta.
Ele gostava de suco de fruta
Ela sempre pedia açaí
Ele pregava o amor livre
Ela não sabia bem o que queria
Ele viajou de bike de São Paulo até Minas
Ela só tinha viajado de bike até o trabalho
Ele não acreditava no governo
Ela queria acreditar nas histórias felizes
Ele já tinha vivido um montão de histórias de amor
Ela estava apenas começando nessa jornada
Ele tinha barba, depois só bigode
Ela achava graça nos bigodes estranhos dele
Ele tinha o melhor abraço
Ela tinha a melhor risada
Ele falava manso
Ela quase efusiva
Ele tinha uma cachorra que se chamava Tobias
Ela queria ter um cachorro
Ele curtia passar horas observando a natureza
Ela adorava ficar deitada com ele na grama de uma praça qualquer
Ele parecia um sonhador o tempo todo
Ela estava aprendendo a sonhar
Ele achava formas nas estampas do vestido dela e tirava foto
Ela gostava do cheiro dele depois de pedalar na chuva
Ele vivia a vida de uma forma apaixonante
E ela se apaixonou

 

 

 

 

Meditando em você

Estou aprendendo a meditar. Inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira. Tento focar na respiração. As pessoas dizem que pensam em diversas coisas. Eu penso em você. Você entra no meio da inspiração sem ser convidado, e eu tento te libertar na expiração. É esse o meu exercício. Inspiro, você está lá. Expiro, tento te soltar. Faz meses que não nos falamos, e você ainda está presente. Eu estou quase colocando o seu nome no lugar de meditação. Se alguém me perguntar o que eu fiz essa manhã… eu respondo:

– Fiz 10 min de você.

Podia responder

Sua mensagem me deixou com raiva.
Aquele sentimento de raiva que poucas pessoas conseguem me proporcionar.
E ela me afetou de uma forma que eu não imaginava que seria assim quando você voltasse a falar comigo.
Eu podia deletar sua mensagem.
Eu podia responder da forma mais grosseira possível.
Mandar você se fuder.
Foi o que eu pensei no primeiro momento.
Depois pensei no meu coração partido.
E pensei em você. No seu jeito. No seu olhar. No seu comportamento. Nas suas atitudes. No seu jogo.
E lembrei de tudo.
Lembrei de como eu era tudo, menos eu, perto de você.
Adquiria outra personalidade.
Lembrei de como as nossas mensagens mudaram.
De como todas elas continham insultos disfarçados em piadas.
E de como eu já não conseguia mais falar de tudo com você, sem ser criticada.
Lembrei de todas as vezes que você me fez me sentir pequena e insignificante para o mundo.
Lembrei de como você me magoava com observações desnecessárias sobre algo e como eu respondia sempre no bom humor.
E pensei… olhei a mensagem várias vezes.
Depois de mais de dois meses sem notícias suas, a mensagem que você me manda é uma mensagem me subestimando.
Li… reli… pensei… e fiz o esforço de lembrar tudo isso.
De lembrar como você começou a deixar de ser importante pra mim.
De como sua ausência foi ficando cada vez mais aceitável.
De como eu comecei a parar de me sentir tão perdida nos meus sentimentos.
Podia responder.
Podia te xingar.
Mandar um áudio falando: foda-se!
Dar chilique… explicar que eu não sou idiota. Que eu entendi perfeitamente o conteúdo da sua mensagem.
E depois eu pensei, pra quê?
Você não se importa comigo.
Então decidi te entregar meu silêncio como resposta.

Diálogos Aleatórios – Amor Comunitário

– Muito legal vocês. A galera toda aqui é legal. Sabe o que a gente devia fazer, marcar outro rolê. Pode ser um lance fechado, tipo Harmony.

– Ãh? tipo o site?

– Hein?

– O site eHarmony, sabe… é tipo um Par Perfeito.

– hahaha Não! Harmony tipo motel mesmo, dá pra fechar uma festa e tal.

– Eita! Tipo tudo junto e misturado, né?

#medooooooo